Os Miseráveis
Vítor nasceu
No Jardim das Margaridas.
Erva daninha
Nunca teve primavera.
Cresceu sem pai
Sem mãe
Sem norte
Sem seta.
Pés no chão
Nunca teve bicicleta.
Hugo não nasceu, estreou
Pele branquinha
Nunca teve inverno.
Tinha pai
Tinha mãe
Caderno
E fada madrinha.
Vítor virou ladrão
Hugo salafrário
Um roubava pro pão
O outro pra reforçar o salário.
Um usava capuz
O outro, gravata.
Um roubava na luz
O outro, em noite de serenata.
Um vivia de cativeiro
O outro, de negócio
Um não tinha amigo, parceiro
O outro, tinha sócio.
Retrato falado
Vítor tinha a cara na notícia,
Enquanto Hugo
Fazia pose pra revista.
O da pólvora
Apodrece penitente.
O da caneta
Enriquece impunemente.
A um só resta virar crente
O outro, é candidato a presidente.
(Sérgio Vaz- Cooperifa)
Farrapos (gente feliz)
O Homem sorrindo
Sobe no morro
Acena pra foto
Pega no feto
Pede o voto.
Desce de costas
Esquece o fato
Foge da bosta.
Chuta o saco
Cospe no prato
Xinga o feio
Bate no fraco.
Que bate na bola
Bebe cachaça
Samba na festa
Trepa na ripa
Enseba no trapo
Que cobre as tripas
De quem dorme em barraco.
Triste fiapo
Canta contente
No fundo do prato
A fome da gente.
(Sérgio Vaz)
sábado, 3 de janeiro de 2009
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